Saúde em Foco

O preparo para a atividade física e, mais ainda, para as atividades desportivas, requer cuidados especiais. Um deles é a avaliação médica das condições de saúde do indivíduo.

Segundo a pesquisa Prática de Esporte e Atividade Física, realizada em 2015 pelo IBGE, somente 37,9% dos brasileiros se exercita regularmente. Assim, o combate ao sedentarismo, como objetivo número um dos pilares da saúde capitaneado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), se encaixa de modo preciso também à população brasileira.

Após a liberação cardiológica ou clínica, o ortopedista deve também fazer a sua avaliação e recomendar o tipo de atividade, o calçado a ser utilizado, o ritmo de progressão dos esforços, a necessidade de se investir no ganho da flexibilidade e força, uso de órteses, fatores de risco para quedas, prevenção da osteoporose ou da fratura de estresse, etc.

No que tange o formato do cavo plantar, corredores com um arco diminuído apresentam maior incidência de lesões nos joelhos, enquanto que os pacientes com um arco elevado têm maior propensão para lesões nos pés e tornozelos.

Os que apresentam diminuição da altura do arco plantar também têm maior incidência de dor patelofemoral por apresentarem maior grau de flexão dos joelhos durante uma corrida. Sabe-se que flexão aumentada do joelho predispõe a maior translação da patela com maior tensão sobre o músculo quadríceps. Por sua vez, os que apresentam maior elevação do arco e menor grau de flexão do joelho nas corridas propiciam menor espaço de acomodação para posicionar bem os pés, facilitando a ocorrência de lesões no pé e tornozelo, tal como entorses.

Na liberação do paciente atleta deve-se estar atento a alterações menstruais, padrões alterados de alimentação, alterações do peso corporal, arritmias cardíacas, incluindo bradicardia (diminuição do número de batidas por minuto menor que o esperado), depressão ou fraturas por estresse. Tais sinais ou sintomas fazem parte da Síndrome do Atleta, uma condição definida pela presença de distúrbios alimentares, ausência de menstruação e osteoporose. Os componentes dessa tríade estão inter-relacionados na sua causa e nas consequências. Para Ottis e al (1999), esta síndrome é frequente passar desapercebida e por isso é subnotificada, principalmente porque ocorre também nas mulheres não atletas, mas ativas fisicamente, e também em homens. Os atletas masculinos que participam de esportes categorizados por peso ou esportes de resistência podem evoluir com anorexia nervosa. Sabe-se ainda que o exercício exagerado leva ao hipogonadismo, que é uma baixa dos hormônios masculinos predispondo à osteoporose.

Pode-se ainda usar o ciclo menstrual a favor do desempenho das atletas de competição. Sabe-se que a cólica menstrual é um sintoma que prejudica a performance especialmente nas modalidades que exigem velocidade, como natação. A síndrome pré-menstrual, que pode surgir com a queda da progesterona a partir do 21.º dia de um ciclo menstrual de 28 dias, também pode impactar o desempenho. Mas isso pode ser uma vantagem, dependendo da modalidade. Por exemplo, nos esportes de luta, as atletas gostam de competir na vigência de tensão pré-menstural (TPM), porque o estado de humor mais agressivo pode jogar a favor de quem está no ringue ou no tatame.

Porém, nos esportes que exigem maior equilíbrio emocional e harmonia, como os coletivos, a menstruação é vista pelas atletas como um transtorno em dias de jogos. Por isso mesmo, propiciar o planejamento do ciclo menstrual em relação ao calendário competitivo, considerando a percepção individual da paciente de como a TPM e a própria menstruação afetam seu desempenho pode ser vantajoso. Antes havia um cuidado maior na prescrição de anticoncepcionais, já que alguns podiam passar como doping — especialmente fórmulas de anticoncepcionais injetáveis. Hoje, já não existe mais a preocupação com esse tipo de tipo de confusão. Mesmo assim,  observa-se atentamente os hormônios e as drogas em geral usadas pelas atletas para tratamentos diversos pois algumas substâncias são capazes de elevar a testosterona, como os corticóides, o que poderia ser acusado de doping.

Observa-se assim que o cuidado com os praticantes de atividade física e principalmente os atletas é uma ciência em franca evolução.

Autor: Fábio Ribeiro Baião, coordenador da equipe de Ortopedia do Hospital da Baleia.

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