Saúde em Foco

Fidgets é um vocábulo que pretende mesclar fidgeting e gadgets, segundo Monteiro (2017). Fidgeting são movimentos frenéticos, tais como bater as unhas sobre a mesa, balançar as pernas sem parar, que, por algumas vezes, podem denotar inquietude, agitação ou impaciência (Definição sugerida pelo dicionário The American Heritage® Roget's Thesaurus, 2014). Gadgets é a denominação dada geralmente a um novo pequeno aparelho, seja ele mecânico ou eletrônico, na definição do Merrian-Webster Dictionary, 2017. Hábitos para aliviar a inquietude como estourar plástico bolha, apertar constantemente o clique de uma caneta retrátil são equivalentes, o que une os dois conceitos.

Estudos ultrassonográficos em nascidos pré-termos demonstraram, segundo Datta et al (2017), que a ausência de movimentos repetitivos intrauterinos com 28 semanas de vida tinha valor preditivo positivo para paralisia cerebral. Assim, movimentos típicos repetitivos fazem parte do nosso desenvolvimento normal. Segundo Einspieler, Peharz e Marschik (2016), os movimentos repetitivos caracterizados como movimentos de fidgeting são pequenos movimentos de velocidade moderada com aceleração variada do pescoço, tronco e membros em todas as direções. Podem aparecer após a sexta semana de vida, porém mais frequentemente a partir da nona até a 16.ª a 20.ª semana de vida, eventualmente um pouco mais. Eles desaparecem quando os movimentos antigravitacionais ou intencionais começam a dominar.

Outro aspecto positivo para o fidgeting é relatado por Morishima et al (2016), que demonstrou ser o fidgeting das pernas capaz de proteger efetivamente as pessoas que passam muito tempo assentadas da disfunção. Ainda, para Hagger-Johnson et al (2015), o fidgeting das pernas pode até mesmo diminuir o risco de mortalidade associada ao hábito de permanecer assentado por longos períodos.

Também, fidgeting pode ser um tipo de tique nervoso que ocorre em pessoas sem doença alguma, bem como pode ocorrer em crianças ou adultos com algumas condições neurológicas ou psiquiátricas. O que difere é a intensidade, a extensão e a característica dos movimentos. Crianças que sofrem de Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), transtorno do espectro autista, diversos distúrbios neuropsiquiátricos, com outros movimentos estereotipados devido a efeitos colaterais de drogas ou medicamentos podem apresentar transtornos de movimentos estereotipados mais complexos ou intensos caracterizados como stimming, Jacovik (2001). No stimming, além de componentes gestuais ou movimentos corporais, pode haver sons ininteligíveis ou outros ruídos, tal como raspar a garganta. Outro tipo de movimento estereotipado bem conhecido são os sinais não verbais de padrão repetitivo diante da atração por rapport afetivo, dos quais são exemplos mexer no cabelo de uma certa maneira, piscar os olhos repetidamente, mãos na cintura, cruzar e descruzar as pernas, ou alisar uma parte do corpo, etc. Na literatura inglesa estes sinais de flerte são chamados de proteans. (Grammer, 2000)

Segundo Harris, e Bouloux (2014), fidgeting pode também ser um sinal de hipertireoidismo. Nesta condição, os pacientes apresentam-se inquietos, tornam-se facilmente agitados, demonstram um tremor fino, e têm problemas para se concentrar.

Historicamente, os chineses, no século XIV, criaram as bolas baoding com a finalidade de aliviar a tensão, relaxar, manter a calma e a concentração, Muellen (2017). 

 

Hoje, temos dispositivos tecnológicos, tais como o Cube, uma caixinha de metal cujas faces possuem os seis tipos de botões com as funções preferidas pelos portadores de fidgeting. E centenas de dispositivos têm sido criados para atender a esse mercado que se mostrou crescente, atingindo a cifra estimada de 40 milhões de pessoas no ocidente, segundo Monteiro (2017).

Todos esses aparelhos são exemplos de “fidgets”. Ora mais simples, ora mais elaborados, mas surprendentes no que podem nos proporcionar. 

Autores:

  • Fábio Ribeiro Baião, coordenador da Ortoepdia do Hospital da Baleia.
  • Patrícia Augusta de Alvarenga, psicóloga e professora do Centro Universitário UNA. 

 

 

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